Trivia – Paradome https://novo.paradome.com.br Mon, 29 Jan 2024 16:42:15 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.9 Spaceship Earth – Uma Ode ao DIY https://novo.paradome.com.br/2020/08/13/spaceship-earth-uma-ode-ao-diy/ Thu, 13 Aug 2020 05:03:48 +0000 https://paradome.com.br/?p=1646 Produzido em conjunção pelo Buckminster Fuller Institute e o estudio NEON, Spaceship Earth (2020) conta a história de um experimento, realizado no início da década de noventa, que tentava simular os desafios que seriam enfrentados por uma futura colônia humana fora da terra. O experimento, influenciado pelas idéias de Bucky, não podia deixar de contar com um enorme domo geodésico, é claro.

“um grupo de jovens idealistas”

O experimento, famosamente encerrado depois de muita polêmica, reflete muitos dos valores de Bucky, e somos apresentados a diversas propostas interessantes, mesmo em face ao fracasso do projeto. A jornada reflete de muitas formas a jornada da humanidade como um todo, e seu fim talvez se deva a uma simulação acurada até demais, um perfeito microcosmo da Terra.

Uma Liderança Peculiar

Um dos focos do filme-documentário é John Allen, o inventor e engenheiro por trás do projeto. O grupo que criou e tripulou o experimento de tamanha magnitude, começou como uma companhia de teatro, concebida por John no fim dos anos 60. As dinâmicas de teatro estavam presentes em todos os seus projetos e a conexão pessoal de Allen com todos os membros do projeto levaram às acusações de que o grupo era um culto, o que contribuiu com seu encerramento. O carisma se traduz em tela, formando um dos aspectos mais intrigantes do filme.

Ode ao DIY?

Como pôde um grupo de jovens idealistas encabeçar tamanho projeto? Por vinte anos antes, Allen e sua trupe trabalharam com as próprias mãos, tocando projetos inovadores, tanto culturalmente quanto cientificamente. A motivação é contaminante, e os resultados inegáveis. É verdadeiramente impressionante o quão longe pode chegar um pequeno grupo de pessoas motivadas.

Um Retrato Sincero

Sem reencenações, o filme é inteiramente composto de registros da época e entrevistas com membros do projeto, com raro material extra para trazer contexto, o que confere um ar de autenticidade à história. As faltas do projeto são apresentadas de maneira clara, em uma narrativa que não precisa esconder sua sombra para impressionar.

Contamos ainda com trilha sonora divertida que acompanha os períodos do filme, completando a contextualização. Os cativantes membros do projeto nos carregam pelo filme, que num ritmo firme não dá espaço ao tédio. O caráter alternativo e sonhador da trupe é equilibrado com pragmatismo, projetos concretos e mãos que trabalham. Carregado das idéias de Buckminster, o trabalho ativo e independente de todos os envolvidos parece provar que, como já dito neste outro filme, Bucky é, de fato, punk.

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The House of Tomorrow – Review https://novo.paradome.com.br/2020/07/12/review-house-of-tomorrow-2/ Sun, 12 Jul 2020 03:21:43 +0000 https://paradome.com.br/?p=1511 Por que The House of Tomorrow?

Com sua geometria completamente única, pode ser difícil imaginar as possibilidades e ambientes proporcionados pelos domos geodésicos. The House of Tomorrow (2017) possui um enredo clássico de amadurecimento, atuação e fotografia competentes, e uma trilha sonora divertida que, sozinhos, justificam a recomendação. Nosso interesse porém, está justamente no gostinho que temos da experiência dos domos.

Do quê se trata?

Baseado no livro de Peter Bognanni de mesmo nome, acompanhamos Sebastian Prendergast (Asa Butterfield), um jovem que se vê dividido entre dois mundos, quando sua isolada vivência aos cuidados de sua avó (Ellen Burstyn) é contaminada pela presença de Jarred Whitcomb (Alex Wolff), evento catalisado por um derrame de sua super-protetora guardiã.

Meredith, a irmã de Jarred, é interpretada por Maude Apatow.

Spoilers!

Sua avó, a controladora Josehpine Prendergast, criou Sebastian como um sucessor de Bucky, na casa geodésica onde guia tours e prega os sonhos de seu mentor, a quem idolatra. E assim o otimismo futurista de sua criação choca-se com o nihilismo punk de seu novo amigo, que enfrenta o prognóstico de uma morte prematura.

Enquanto Josephine peca pelo apego e controle, Jarred é defensivo, em diversos momentos rejeita Sebastian e age de maneira desnecessariamente agressiva e impulsiva. Sebastian lida com estes embaixadores carregados de falhas de ambos os mundos, forma uma banda punk, explora a profundidade dos personagens que o cercam, e enfim encontra maturidade na síntese dos não-tão-opostos ideais.

O sonho de Buckminster

Certamente o elemento visual mais chamativo do filme é a própria “house of tomorrow”, o domo geodésico que serve de lar ao protagonista. Junto dela somos expostos à superfície da visão de R. Buckminster Fuller, o sonho de uma humanidade mais sofisticada, unida e eficiente.

Nick Offerman faz o papel de Alan Whitcomb, o divorciado pai de Jarred e Meredith.

Ellen Burstyn possuía mais de 3 horas de conversas com o inventor

Curiosamente, Ellen Burstyn, atriz veterana de filmes como O Exorcista (1973) e Réquiem para um Sonho (2000), foi convidada para o papel sem que o diretor soubesse de sua relação real com Bucky. Foi muito oportuno então descobrir que, não somente eram amigos, como Ellen possuía mais de 3 horas de conversas com o inventor, gravadas em filme nunca antes publicado, das quais vemos um pequeno trecho, perto do fim do filme.

Veredito

Concluindo com músicas performadas pelos próprios atores, que trazem autenticidade a sua verve punk, House of Tomorrow é, além de divertido filme, uma boa introdução ao universo dos domos geodésicos, e nos permite sonhar, como sonhou Bucky, com um mundo menos quadrado.

https://www.youtube.com/watch?v=oyLWPWydvyo
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