buckminster fuller – Paradome https://novo.paradome.com.br Fri, 03 May 2024 15:18:07 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.8.3 Entendendo a Geometria https://novo.paradome.com.br/2024/05/03/entendendo-a-geometria/ https://novo.paradome.com.br/2024/05/03/entendendo-a-geometria/#respond Fri, 03 May 2024 14:50:55 +0000 https://paradome.com.br/?p=6111 DISTRIBUIÇÃO PERFEITA DE FORÇAS

Domos ou esferas geodésicas são estruturas seguras, eficientes e econômicas compostas por triângulos organizados de forma a compor uma superfície semiesférica.

Os triângulos são os polígonos mais resistentes estruturalmente (a distribuição de forças é demonstrada na imagem abaixo) permitindo que a geometria geodésica construa estruturas fortes e capazes de cobrir grandes volumes sem o uso de suportes como vigas ou colunas.

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ICOSAEDRO

Para calcular os formatos e a distribuição dos triângulos na superfície geodésica utilizamos como base o icosaedro, que é um poliedro regular com 20 faces compostas por triângulos equiláteros.

Uma das principais características que determinam a diferença entre um domo e outro está exatamente na quantidade de triângulos que são usados para subdividir essas faces do icosaedro.

Quanto maior a quantidade de triângulos, mais uma geodésica se aproxima do formato esférico. 

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Divisão da face do icosaedro para geodésica de frequência V3.

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FREQUÊNCIA

Essa densidade de triângulos em uma determinada área da esfera geodésica é o que chamamos de frequência, normalmente indicada pela letra V seguida do número de divisões da aresta do icosaedro.

Dessa forma, o próprio icosaedro é uma esfera geodésica de frequência 1, ou V1.

Ao dividirmos a sua aresta em duas dividimos também a sua face em 4 triângulos, criando a geodésica V2; se dividirmos a aresta em três temos uma geodésica V3, com 9 triângulos em cada face; e assim sucessivamente.

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Exemplos de frequências da esfera geodésica
nas frequências V1 a V4.


FRAÇÃO DA ESFERA


Outra característica que determina o tamanho e formato dos domos é a fração da esfera que esse domo representa. Esse elemento define a altura do domo, a área de sua base e é estabelecido por uma secção perpendicular ao eixo central.

A fração mais usada é a metade da esfera (1/2), possível apenas em domos de frequência par (V2-V4). Em domos de frequência impar (V3-V5) é comum utilizar frações próxima a isso, como 7/12 em uma geodésica V3. 

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Exemplos de secções da esfera geodésica
nas frequências V2 – V3 – V4

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Origem dos Domos Geodésicos https://novo.paradome.com.br/2024/05/03/origem-dos-domos-geodesicos/ https://novo.paradome.com.br/2024/05/03/origem-dos-domos-geodesicos/#respond Fri, 03 May 2024 11:19:59 +0000 https://paradome.com.br/?p=1549 Domos e abóbodas são estruturas utilizadas na arquitetura por diversas sociedades humanas desde a origem da nossa civilização, porém as estruturas que usam a geometria geodésica são um avanço bem mais recente.

O primeiro domo a utilizar a geometria geodésica na era moderna foi construído no ano de 1926 em Jena, na Alemanha, por Walther Bauersfeld, engenheiro chefe da Companhia Ótica Carl Zeiss, que desenvolveu seu projeto para servir como superfície de projeção dos novíssimos projetores planetários da empresa.

Mas para Bauersfeld a solução geométrica encontrada era apenas uma escolha elegante para resolver o problema prático que tinha em mãos.

Planetário de Jena, projetado por Walter Bauersfeld
Planetário de Jena, projetado por Walter Bauersfeld.

O estudo sistemático da matemática, o desenvolvimento da engenharia por trás do projeto e da construção e o esforço em divulgar o conhecimento sobre os domos geodésicos (assim como a própria designação “geodésico”) se deve na realidade ao visionário designer, arquiteto e inventor norte-americano Richard Buckminster Fuller.

Considerado como o verdadeiro pai dessa tecnologia, Bucky estudou profundamente a geometria e as aplicações da engenharia geodésicas.

Buckminster Fuller
Buckminster Fuller segurando seu Tensegrity

Inspirado por uma visão holística das aplicações científicas e usando como suporte alguns conceitos elaborados por ele mesmo ao longo do processo, como “integridade tensional” e “maximização dinâmica”.

Fuller apresentou seus domos, atraindo o interesse e a curiosidade de pessoas de diversos setores, desde espaços acadêmicos a industriais e militares. Divulgando-o entusiasticamente como uma das melhores forma de reduzir o impacto econômico e ambiental e ajudar a tornar as construções humanas mais práticas e acesssíveis.

É possível dizer que, em essência, os domos geodésicos são ao mesmo tempo a síntese e a materialização do pensamento e da visão de mundo de Richard Buckminster Fuller.

Buckminster Fuller em sua oficina
Bucky Fuller e seus modelos geodésicos, no Black Mountain College

Atualmente, em função das tecnologias digitais e do grande alcance das redes, vivemos uma redescoberta dos domos geodésicos, junto com a criação e difusão de programas, sites e plataformas que ajudam na popularização do conhecimento sobre o uso dessas estruturas.

Utilizadas para as mais variadas funções, de estufas e galinheiros até casas, abrigos de montanha ou ginásios esportivos, e acompanhando o desenvolvimento de novos materiais e técnicas de construção, uma enorme diversidade de cúpulas geodésicas estão sendo erguidas por todos os tipos de pessoas em dezenas de países ao redor do mundo.

Home solar globe
Norway home solar globe – Ingrid Hjertefølger
Galinheiro domo geodésico
Galinheiro da Sunrise Domes
Bivacco Pelino – Monte Amaro – Itália
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Spaceship Earth – Uma Ode ao DIY https://novo.paradome.com.br/2020/08/13/spaceship-earth-uma-ode-ao-diy/ Thu, 13 Aug 2020 05:03:48 +0000 https://paradome.com.br/?p=1646 Produzido em conjunção pelo Buckminster Fuller Institute e o estudio NEON, Spaceship Earth (2020) conta a história de um experimento, realizado no início da década de noventa, que tentava simular os desafios que seriam enfrentados por uma futura colônia humana fora da terra. O experimento, influenciado pelas idéias de Bucky, não podia deixar de contar com um enorme domo geodésico, é claro.

“um grupo de jovens idealistas”

O experimento, famosamente encerrado depois de muita polêmica, reflete muitos dos valores de Bucky, e somos apresentados a diversas propostas interessantes, mesmo em face ao fracasso do projeto. A jornada reflete de muitas formas a jornada da humanidade como um todo, e seu fim talvez se deva a uma simulação acurada até demais, um perfeito microcosmo da Terra.

Uma Liderança Peculiar

Um dos focos do filme-documentário é John Allen, o inventor e engenheiro por trás do projeto. O grupo que criou e tripulou o experimento de tamanha magnitude, começou como uma companhia de teatro, concebida por John no fim dos anos 60. As dinâmicas de teatro estavam presentes em todos os seus projetos e a conexão pessoal de Allen com todos os membros do projeto levaram às acusações de que o grupo era um culto, o que contribuiu com seu encerramento. O carisma se traduz em tela, formando um dos aspectos mais intrigantes do filme.

Ode ao DIY?

Como pôde um grupo de jovens idealistas encabeçar tamanho projeto? Por vinte anos antes, Allen e sua trupe trabalharam com as próprias mãos, tocando projetos inovadores, tanto culturalmente quanto cientificamente. A motivação é contaminante, e os resultados inegáveis. É verdadeiramente impressionante o quão longe pode chegar um pequeno grupo de pessoas motivadas.

Um Retrato Sincero

Sem reencenações, o filme é inteiramente composto de registros da época e entrevistas com membros do projeto, com raro material extra para trazer contexto, o que confere um ar de autenticidade à história. As faltas do projeto são apresentadas de maneira clara, em uma narrativa que não precisa esconder sua sombra para impressionar.

Contamos ainda com trilha sonora divertida que acompanha os períodos do filme, completando a contextualização. Os cativantes membros do projeto nos carregam pelo filme, que num ritmo firme não dá espaço ao tédio. O caráter alternativo e sonhador da trupe é equilibrado com pragmatismo, projetos concretos e mãos que trabalham. Carregado das idéias de Buckminster, o trabalho ativo e independente de todos os envolvidos parece provar que, como já dito neste outro filme, Bucky é, de fato, punk.

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The House of Tomorrow – Review https://novo.paradome.com.br/2020/07/12/review-house-of-tomorrow-2/ Sun, 12 Jul 2020 03:21:43 +0000 https://paradome.com.br/?p=1511 Por que The House of Tomorrow?

Com sua geometria completamente única, pode ser difícil imaginar as possibilidades e ambientes proporcionados pelos domos geodésicos. The House of Tomorrow (2017) possui um enredo clássico de amadurecimento, atuação e fotografia competentes, e uma trilha sonora divertida que, sozinhos, justificam a recomendação. Nosso interesse porém, está justamente no gostinho que temos da experiência dos domos.

Do quê se trata?

Baseado no livro de Peter Bognanni de mesmo nome, acompanhamos Sebastian Prendergast (Asa Butterfield), um jovem que se vê dividido entre dois mundos, quando sua isolada vivência aos cuidados de sua avó (Ellen Burstyn) é contaminada pela presença de Jarred Whitcomb (Alex Wolff), evento catalisado por um derrame de sua super-protetora guardiã.

Meredith, a irmã de Jarred, é interpretada por Maude Apatow.

Spoilers!

Sua avó, a controladora Josehpine Prendergast, criou Sebastian como um sucessor de Bucky, na casa geodésica onde guia tours e prega os sonhos de seu mentor, a quem idolatra. E assim o otimismo futurista de sua criação choca-se com o nihilismo punk de seu novo amigo, que enfrenta o prognóstico de uma morte prematura.

Enquanto Josephine peca pelo apego e controle, Jarred é defensivo, em diversos momentos rejeita Sebastian e age de maneira desnecessariamente agressiva e impulsiva. Sebastian lida com estes embaixadores carregados de falhas de ambos os mundos, forma uma banda punk, explora a profundidade dos personagens que o cercam, e enfim encontra maturidade na síntese dos não-tão-opostos ideais.

O sonho de Buckminster

Certamente o elemento visual mais chamativo do filme é a própria “house of tomorrow”, o domo geodésico que serve de lar ao protagonista. Junto dela somos expostos à superfície da visão de R. Buckminster Fuller, o sonho de uma humanidade mais sofisticada, unida e eficiente.

Nick Offerman faz o papel de Alan Whitcomb, o divorciado pai de Jarred e Meredith.

Ellen Burstyn possuía mais de 3 horas de conversas com o inventor

Curiosamente, Ellen Burstyn, atriz veterana de filmes como O Exorcista (1973) e Réquiem para um Sonho (2000), foi convidada para o papel sem que o diretor soubesse de sua relação real com Bucky. Foi muito oportuno então descobrir que, não somente eram amigos, como Ellen possuía mais de 3 horas de conversas com o inventor, gravadas em filme nunca antes publicado, das quais vemos um pequeno trecho, perto do fim do filme.

Veredito

Concluindo com músicas performadas pelos próprios atores, que trazem autenticidade a sua verve punk, House of Tomorrow é, além de divertido filme, uma boa introdução ao universo dos domos geodésicos, e nos permite sonhar, como sonhou Bucky, com um mundo menos quadrado.

https://www.youtube.com/watch?v=oyLWPWydvyo
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